segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

PF faz operação para combater tráfico internacional de drogas na fronteira

Devem ser cumpridos 46 mandados de prisão em seis estados.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (02) a Operação Piloto, que tem o objetivo de prender os chefes de um grande esquema internacional de tráfico de drogas na região de fronteira com o Paraguai, nos Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Ao todo serão cumpridos 46 Mandados de Prisão e 53 Mandados de Busca e Apreensão em 24 municípios de 6 Estados.

As investigações tiveram início em maio de 2013, quando foi identificado um empresário do ramo de transportes da cidade de Umuarama, no Paraná. Ele estaria utilizando parte da frota para transportar grandes quantidades de maconha, escondidos em meio a cargas de sofás e cadeiras. A droga vinha do Paraguai e era levada para o Estado de São Paulo.

Com o avançar das investigações, foi identificada uma ampla rede internacional, formada por 16 quadrilhas de tráfico de drogas, operando a partir de Umuarama. Essas quadrilhas compravam grandes quantidades de maconha, cocaína, crack, armas de fogo e munições, transportavam tudo para o território brasileiro e, depois, distribuíam nos grandes centros consumidores, principalmente no Estado de São Paulo.

Dentre as cidades paranaenses em que estão sendo cumpridos mandados estão: Umuarama, Foz do Iguaçu,
Londrina, Cascavel, Cambé, Ibiporã e Xambrê. No Mato Grosso do Sul: Ponta Porã, Eldorado, Amambaí, Sete Quedas, Coronel Sapucaia, Paranhos, Iguatemi, Mundo Novo e Três Lagoas. Em São Paulo: São Paulo, Indaiatuba, São Vicente, Rancharia e Bauru. No Espírito Santo:  Baixo Gandu. Em Santa Catarina: São José. E em Sergipe: Aracaju.

Ao longo dos 7 meses de investigações já foram efetuadas 67 prisões em flagrante no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo e apreendidas 49 toneladas de maconha, 383 quilos de cocaína, 125 quilos de crack, 2.720 frascos de lança perfume, 8.052 comprimidos de ecstasy. Além disso, a polícia encontrou mais de 1 mil projéteis de munição, cinco fuzis, seis pistolas, um revólver, três espingardas. Cinquenta e um veículos foram apreendidos e R$ 394.724,00 em espécie.

Os presos serão recolhidos a estabelecimentos penitenciários nos Estados do Paraná e São Paulo onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.


Bem Paraná
02/12/13 às 08:42
http://www.bemparana.com.br/noticia/291838/pf-faz-operacao-para-combater-trafico-internacional-de-drogas-na-fronteira#.Upx6ydI3uE4

domingo, 1 de dezembro de 2013

Exploração Sexual de Adolecentes Indígenas

Rede de exploração sexual de São Gabriel da Cachoeira (AM) passa a ser investigada em âmbito federal. Vulnerabilidade de meninas indígenas preocupa
 
O caso de exploração de crianças e adolescentes indígenas em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, passou à esfera federal. Além da investigação aberta há cerca de um mês a pedido do Ministério Público Federal, agora a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República e os deputados federais da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Tráfico de Pessoas  passaram a acompanhar o caso. Na semana passada, a ministra Maria do Rosário visitou o centro de acolhida Kunhantãi Uka suri (Casa da Menina Feliz), onde vítimas de abusos receberam apoio de freiras salesianas. Os deputados, por sua vez, não só aprovaram requerimento para uma diligência na cidade, como também a realização de uma audiência pública para debater o problema.

As primeiras denúncias da exploração foram feitas em 2008, mas nem o Ministério Público Estadual, nem Polícia Civil, conseguiram desmantelar a rede de pedofilia local. As violências cometidas ganharam repercussão nacional neste mês, após notícias de que a virgindade de uma menina havia sido vendida por R$ 20.

As autoridades ouviram depoimentos de 12 garotas e listaram nove suspeitos. Quem acompanha a questão na região alerta, no entanto, que a rede é bem maior. “Tem muito mais do que os 12 casos. Há muitas meninas amedrontadas por essas pessoas, meninas que se calam diante de ameaças”, diz o bispo Edson Taschetto Damian, que afirma que freiras da congregação que recebeu as vítimas vêm sofrendo ameaças e perseguição.
“Elas estão em contato com essas meninas mais pobres e exploradas. Acabam ouvindo e descobrindo os casos, que não são poucos. Os órgãos judiciários locais estão pouco presentes. Embora tenha Tribunal de Justiça e Procuradoria do Estado [em São Gabriel da Cachoeira], os responsáveis vivem em Manaus e permanecem poucos dias na cidade”, completa. De acordo com o religioso, a participação do procurador Júlio José Araújo Junior, do Ministério Público Federal, foi fundamental para que a investigação passasse ao âmbito federal.

Objeto sexual

“Por que existe essa exploração? Porque para alguns brancos o índio é objeto, não conta, não tem dignidade ou valor. Eles fazem o que bem entendem”, diz o bispo Edson. O crescimento populacional acelerado no município é apontado como um dos fatores que agravaram a vulnerabilidade das meninas indígenas. O número de moradores do município encravado na floresta, na fronteira do Brasil com Venezuela e Colômbia, quase dobrou em duas décadas. De 23.140 pessoas em 1991, passou para 37.896 em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais de 90% dos moradores são indígenas.

Em 2008, a eleição do prefeito Pedro Garcia (PT) e seu vice André Baniwa (PV), primeiros índios a assumirem o poder municipal, acelerou a urbanização. Muitas famílias trocaram aldeias pela cidade, esperançosas em relação a acesso a mais políticas e serviços públicos. A desigualdade social, no entanto, não mudou. Segundo os dados mais recentes do IBGE, enquanto a renda média mensal dos indígenas é de R$ 601, a da população de cor branca é de R$ 2.387.
A relação entre urbanização acelerada em municípios indígenas e exploração sexual infantil não é exclusividade do município no norte do Amazonas. Em julho do ano passado, em encontro do Grupo de Estudos sobre Infância Indígena e Trabalho Infantil da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (Conaeti), integrantes manifestaram a preocupação em relação a este tema. Dernival dos Santos, representante dos índios Kiriris, afirmou na ocasião que a saída de jovens das aldeias para as cidades trazia riscos de exploração pela prostituição e alcoolismo.

Diante da exposição das crianças indígenas ao risco de exploração sexual, os integrantes apontaram a necessidade de estratégias prioritárias para lidar com o problema.


Blog Super Interessante
Por Daniel Santini, da Repórter Brasil
domingo, 1 de dezembro de 2013
http://interessante1973.blogspot.com.br/2013/12/exploracao-sexual-de-adolecentes.html