sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Desenvolvimento na fronteira passa pelas micro e pequenas empresa

Foz do Iguaçu, Cuidad Del Leste e Puerto Iguazu assinaram, nesta semana, acordo para implementação de um programa de desenvolvimento integrado de fronteira, batizado de Projeto Fronteiras Cooperativas. A ação, incentivada pelo Sebrae Nacional por meio de trabalhos de internacionalização, será capitaneada pelo Sebrae/PR e por instituições que atuam no ambiente das micro e pequenas empresas dos três países.

Para chegar à base que vai nortear o Projeto, lideranças da tríplice fronteira estiveram reunidas no dia anterior à assinatura do acordo, para o 1º Simpósio Fronteiras Classe Mundial. No encontro, que se estendeu por toda a última segunda-feira, dia 9, foram delimitadas alianças para a cooperação, discutidas experiências transfronteiriças e instituído o conceito de Fronteira Classe Mundial.

De acordo com Juliana Gregory Mee, da Unidade de Assessoria Internacional do Sebrae Nacional, o Simpósio foi de extrema importância não só para o Projeto Fronteiras Cooperativas, que será desenvolvido na fronteira do Brasil com a Argentina e Paraguai, mas também vai ser embasamento para outras ações operacionalizadas pelo Sebrae no Brasil.

“A partir do conceito de Fronteira Classe Mundial é que os demais projetos de cooperação entre fronteiras serão embasados. Nesse primeiro momento, serão dois os territórios a trabalhar com a metodologia como projeto-piloto: a tríplice fronteira e as cidades de Barracão e Irigoyen (cidades que delimitam a fronteira da Argentina com o Brasil, no sudoeste paranaense)”, explica.

Além de lideranças do Sebrae Nacional, Sebrae/PR, Argentina e Paraguai, o Simpósio também contou com a contribuição do Sebrae/MS e representantes da Associação das Regiões de Fronteira da Europa (ARFE) e Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

A pluralidade de reunir um grupo de pensadores e técnicos em relações de desenvolvimento em fronteiras, conceitua Luiz Antonio Rolim de Moura, consultor do Sebrae/PR e coordenador do Programa de Apoio à Cooperação Internacional do Sebrae, é primordial para o processo. “Já trabalhamos juntos e compartilhamos de muitos diálogos em separado. Esses ‘atores’ são líderes em suas ações e, por isso, contribuem coletivamente na criação do que se pretende para fronteiras classe mundial”, reforça.

Classe Mundial
Ao final do 1º Simpósio Fronteiras Classe Mundial, ficou definido que se entende por região de fronteira classe mundial um território situado entre dois ou mais países que se caracteriza por: pessoas com orgulho de pertencer à região promotora de inovação sustentável e empreendedora; existência de redes de cooperação em diálogo permanente; confiança entre as partes no relacionamento; capital social de qualidade para o desenvolvimento; infraestrutura e serviços compartilhados; ser sustentável nos diversos âmbitos; ter vantagens competitivas; atratividade para investimentos a pessoas; pactuação de agendas positivas para desenvolvimento; desenvolva e implemente políticas para os cidadãos; visão de futuro clara e compartilhada; além de promover sua marca de forma sistêmica e contínua.

Orientação
Martin Guillermo, da ARFE, acredita que é possível a consolidação de fronteiras de classe mundial. “É possível defini-la, construí-la e fomentá-la. Basta vontade e compromisso das lideranças para fazer com que as pessoas também se sintam parte do processo de desenvolvimento da fronteira. O Simpósio foi muito bom para definição do que deve ser um território transfronteiriço. É uma ideia que deve ser exportada”, enaltece.

Para o europeu, apesar do processo de integração entre fronteiras na América Latina ser diferente do que acontece na fronteira entre Portugal e Espanha, por exemplo, o segredo está na integração. “Foi muito bom poder contribuir para a construção dessa dinâmica de Fronteira Classe Mundial. Compartilhamos com a ideia de criar uma sistematização tanto para renovar o processo europeu quanto para começar um processo na América Latina”, instiga.

Na avaliação do representante da CEPAL, Nahuel Odone, a reunião de pessoas com capacidades diferentes de inovação e criatividade, características que acredita serem imprescindíveis para o estabelecimento de normas, foi importantíssima para se chegar no conceito de fronteira classe mundial.

“Vimos que existe uma grande demanda de integração transfronteiriça. A conscientização da fronteira, a maneira de entender a dinâmica da fronteira moderna, gerar confiança nos territórios e as relações distintas de cada país são fatores que devem ser levados em consideração no processo de integração nas fronteiras. É nessa linha de devemos trabalhar”, salienta Odone.

O sudoeste do Paraná e Mato Grosso do Sul também têm projetos de desenvolvimento integrado de fronteiras e serão beneficiados com a consolidação do conceito de classe mundial. “Lançamos o Projeto Fronteiras Cooperativas em Barracão e Bernardo de Irigoyen no mês passado e, na próxima fase, já vamos utilizar o conceito classe mundial para nortear as ações, vivenciando as experiências dos dois países”, considera a consultora do Sebrae/PR na região sudoeste paranaense, Maria Auria Mulhmann.

Também com projetos de integração transfronteiriça já em andamento, o analista do Sebrae/MS, Paulo Henrique Gomes Antello e Silva, afirma que participar da constituição e ter um conceito de fronteira classe mundial vão proporcionar aprimoramento das ações existentes. “Levaremos o conceito ao nosso Projeto Sem Fronteiras. Com isso, saberemos o que é o ideal para lançarmos novos desafios e melhorar processos.”

Tríplice Fronteira
Conceituado o que deve ser uma fronteira padrão mundial, o Projeto Fronteiras Cooperativas, que vai alinhar as expectativas de desenvolvimento das cidades de Foz do Iguaçu, Ciudad Del Leste e Puerto Iguazu, inicia com o ‘pé direito’. Orestes Hotz, gerente regional do Sebrae/PR no oeste, destaca o consenso entre as lideranças comprometidas com o Projeto por meio da assinatura do acordo de resultados que aconteceu na noite desta terça-feira, dia 10.

“Tivemos cerca de 40 lideranças dos três países envolvidos, que deram o aval para os diálogos do Projeto ressaltando que ‘era algo que estava faltando acontecer’. As entidades já atuam com algumas ações comuns, mas o Projeto vai facilitar o diálogo efetivo para o desenvolvimento integrado da fronteira. Ficou claro que o Fronteiras Cooperativas vai realmente dar condições para trabalhar em conjunto e em prol do desenvolvimento da fronteira por meio das micro e pequenas empresas”, reforça Hotz.

A governança do projeto regional será instituída até outubro e, a partir daí, enfatiza o consultor do Sebrae/PR em Foz do Iguaçu, Edinardo Aguiar, ações de capacitação serão realizadas. “O Projeto consiste em uma lógica de trabalho entre instituições, alinhando expectativas e respeitando as características e singularidades de cada cidade. Depois de capacitadas, cada uma vai atuar no desenvolvimento das micro e pequenas empresas locais”, aponta.

Assinaram o acordo o Sebrae/PR, Prefeitura de Foz do Iguaçu e Ciudad Del Leste, Conselho de Desenvolvimento de Foz do Iguaçu (Codefoz), Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI), Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (ACIFI), Câmara de Empreendedores da Região de Iguaçu (CAEMPRI), Associação Civil de Atrativos Turísticos de Iguaçu (ACATI) e Câmara Comércio e Serviços de Ciudad Del Leste.

Também estiveram presentes e constam como testemunhas do acordo de resultados Sebrae Nacional, Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Foz do Iguaçu (Sindhotéis Foz), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL) Regional Foz do Iguaçu, Câmara de Importadores de Eletrônicos e Eletrodomésticos do Paraguai (CIEEP) e União Industrial Paraguaia (UIP)..


H2Foz
Sebrae Paraná
12/09/2013 17h29
http://www.h2foz.com.br/noticia/desenvolvimento-na-fronteira-passa-pelas-micro-e-pequenas-empresa

Nenhum comentário:

Postar um comentário